O Jardim da Música

Se me permitem, vou falar antes de uma descoberta que fiz, também na semana passada, na revista Arquitecturas (n.º 29, edição de Outubro de 2007). Trata-se de um projecto que promete ser uma das grandes bandeiras do actual executivo camarário nas eleições de 2009: o Jardim da Música, a construir no actual vazio urbano (um tema muito em moda) entre os Paços do Concelho, o novo Centro de Exposições e a futura Casa da Juventude, ou seja, no terreno do antigo campo de jogos do Odivelas Futebol Clube.
De acordo com o artigo publicado nessa revista, trata-se de um projecto da autoria do arquitecto paisagista Jorge Cancela, do atelier Biodesign, que "promete ser uma alavanca para a reabilitação urbana de Odivelas". Pretende-se criar um "espaço verde urbano" e já não uma praça com estacionamento subterrâneo (como o anterior executivo pretendia) que se venha a assumir como "um ponto de descompressão e de encontro de pessoas e de gerações, com várias valências".
Ainda de acordo com esse artigo, o conceito do futuro jardim "consiste em pegar em elementos da composição do jardim português tradicional e adaptá-los à realidade urbana". O seu desenho será fluído e permitirá passar, "com naturalidade, do pomar até ao campo de aromáticas, passando pelo olival, o prado e a mata". Terá uma praça com um anfiteatro ao ar livre bem como um banco corrido com 80 metros de comprimento coberto por uma pérgola. O poço e a nora já existentes serão preservados. Será construído um caminho de água culminando num espelho de água com funções "micro-climáticas". No entanto, a grande inovação (tecnológica) deste jardim será a inclusão de equipamentos interactivos ligados à música.
Em Odivelas existem mais árvores do que muitas vezes se pensa e se afirma - como os leitores habituais deste espaço bem sabem. No entanto, é notória a falta de um espaço verde com dimensões consideráveis, que possa funcionar como um ponto de referência e de descompressão numa cidade algo tensa e com o conhecido problema da má imagem que transmite para o exterior.
Paralelamente, ainda há poucos meses defendi, no "post" Ainda em torno do Centro Histórico (21.08.2009), que a vida de rua que ainda existe em Odivelas (algo cada vez mais raro nas nossas cidades, infelizmente) pode, e deve, ser canalizada para o Centro Histórico. E que esse centro pode ser um dos espaços mais espectaculares da Grande Lisboa, pelo património (secular) existente, pelo grande sentido urbano do Largo D. Dinis e também pelas potencialidades que encerra o citado vazio urbano.
O Jardim da Música, de acordo com o que é possível vislumbrar através do artigo da revista Arquitecturas, é pois muito bem vindo. A obra deverá arrancar em 2008, para inaugurar em 2009.
3 Comments:
Hum... os prazos parecem-me muito optimistas. Ou me enganaram muito ou o projecto ainda não está feito.
Só espero que respeitem a História e a ponham em diálogo com a modernidade do projecto. Espero que não se volte a cometer o erro que se cometeu na reconstrução das "casas nobres", à conta do qual levamos todos os anos com a ferrugem a escorrer pelas paredes de alvenaria e pelas magníficas cantarias do velho edifício.
Quem me explica porquê?
Sobre a Q.ª da Memória,diz o livro das Décimas: "A propriedade do Conde de Santiago, consta de Casas Nobres e a Quinta que se compõe de Pomar de espinho bordado de oliveiras avaliado tudo em quarenta e oito mil e duzentos réis; e terras de semeadura avaliadas em quinze mil e setecentos e cinquenta réis". "Árvores de espinho" são citrinos. É só uma sugestão....., se me é permitido....
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