A cidade e as serras
Há uns dias tive a experiência extraordinária de ter estado numa aldeia para lá das serras - mas a menos de 15 minutos da minha casa (e a cerca de 25 minutos do Campo Grande) - numa autêntica festa do Portugal rural profundo. Havia bailarico com a cassete do Quim Barreiros, havia febras salgadas, havia cerveja sem copo, havia campo a perder de vista (ver foto), havia gente genuína e com hábitos ainda algo comunitários, que conta estórias do tempo em que Odivelas era "terra de lavoura".
Como é isto possível em pleno Séc. XXI e numa grande área metropolitana? Falta-me bagagem sociológica para explicar tão interessante fenómeno da periurbe lisboeta.
Em todo o caso, fiquei com a estranha sensação de ter estado muito, muito longe, mas ao mesmo tempo perto de casa e de uma certa portugalidade, algo pimba mas muito nossa. Talvez o que falte a Portugal (e a Lisboa) é deixar-se de cosmopolitismos parolos e assumir-se como é, com genuidade e sem complexos de inferioridade. Não estava o grande encanto de Lisboa nos seus bairros populares e nas respectivas praxes?
1 Comments:
Foi na bacia hidrográfica do Trancão que se fez a primitiva ocupação humana da "península de Lisboa", segundo os modernos Arqueólogos, pecisamente nos pequenos outeiros, nas encostas de declive suave, com vales pouco profundos, fáceis de transpor. Tinham fácil acesso à água doce e tinham boa caça, porque a vegetação rasteira era o seu alimento.
Enviar um comentário
<< Home