
"As grandes inundações de 1967": assim se chama a exposição evocativa da tragédia ocorrida na noite de 25 para 26 de Novembro de 1967, que hoje inaugurou no
Centro Cultural da Malaposta após 40 anos de esquecimento.
Promovida pela Junta de Freguesia de Olival Basto em parceria com a Municipália, com pesquisa, selecção de imagens e textos da conhecida historiadora Maria Máxima Vaz, tratamento de imagem de Margarida Nunes e composição gráfica de Armando Vale, a exposição prima pelo minimalismo. Bastam apenas 10 painéis para nos tocar a alma, com a dor de famílias que ficaram completamente desfeitas - como a de Rosa, sobrevivente de uma família de 11 pessoas que ficou reduzida a 3.
A maioria das fotografias, retiradas de jornais da época, são impressionantes. Revelam o ímpeto das águas, que arrastaram pessoas, animais, carros, casas e até um camião dos Bombeiros Voluntários de Odivelas com ... 12 toneladas!
Não se sabe ao certo quantos morreram nessa fatídica noite. Talvez 600. Mas sabe-se que houve um movimento de solidariedade nacional (a importância dos bombeiros, dos fuzileiros e dos estudantes) e mundial, com doações de importantes quantias de dinheiro que, aparentemente, não reverteram a favor da maioria das vítimas - como é o caso de Rosa, que acompanhou Maria Máxima Vaz numa comovente visita guiada pelo passado, pelo infortúnio deste triste país.
A exposição é perturbante. Prenuncia a desgraça, após 40 anos de ausência de uma política de ordenamento para o Vale Odivelas-Loures, com conhecidos casos de ocupação de leitos de cheia e com a crescente impermeabilização das encostas. Ou não fossem as cheias fenómenos perfeitamente normais, que ocorrem com uma certa regularidade.
Uma exposição absolutamente essencial, até 9 de Dezembro na
Malaposta.